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Produtos Naturais auxiliam no tratamento da DII

29.08.14 | André

Esta noticia é de Maio de 2014, mas é sempre bom (re)ler este artigo sobre uma  pesquisa realizada no Instituto de Biociências da Universidade Estadual Paulista (Unesp), em Botucatu (SP), a qual constatou a eficiência de produtos no tratamento das doenças inflamatórias intestinais (DII).

 

http://www.abifisa.org.br/noticia/06-05-2014-produtos-naturais-auxiliam-no-tratamento-de-doencas-inflamatorias-intestinais

Corticóides

22.08.14 | André

Estávamos em Maio de 2009 e desde Março que a minha situação se vinha agravando. Muita perda de sangue, 10 evacuações por dia, um grande cansaço, mas eu continuava a trabalhar, com muito sacrifício, mas nenhum colega sabia. Conclusão, as exigências profissionais eram as mesmas e eu piorava.

 

O meu médico de gastrenterologia também não acreditava no que eu lhe dizia, da perda de sangue, do cansaço, etc, porque o importante para ele era o resultado das análises e essas estupidamente não representavam o meu estado débil de saúde. Até que um dia eu fui sem marcação ao consultório do médico e ele foi “obrigado” a fazer-me uma colonoscopia (não foi necessário preparação para o exame, porque como eu evacuava 10 vezes por dia o intestino estava limpo de fezes), aí é que ele se apercebeu da gravidade da situação! O intestino estava completamente inflamado e comecei de imediato uma nova terapêutica com corticoides, 40mg e fui reduzindo gradualmente, mas quando terminei a medicação, ainda não estava bem, voltei aos 40mg e nova redução gradual.

 

O resultado foi positivo, deixei de perder sangue, voltei a ter energia, apareceu-me algumas dores articulares, mas tudo era superado …estive de férias na primeira quinzena de Agosto  e nesse período e já após ter terminado a cortisona, comecei a ficar inchado na cara.

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Como é que eu ia enfrentar os meus colegas? Nunca tinha visto a minha cara assim, foi horrível, mas tinha que regressar ao trabalho…claro que os meus colegas quando me viram, ficaram chocados, diziam estás mais gordo! Outros mais sensíveis ou entendidos no assunto tentaram perceber o que se passava. Mas não há palavras para descrever o desconforto que se sente, na altura eu pensava que a cada dia que passava estava menos inchado, ao fim ao cabo já tinha terminado a terapêutica a alguns dias. 

 

Em Outubro fui participar na corrida do Tejo, até fui a um dos treinos no jardim dos poetas em Oeiras, onde tirei fotografias com os grandes campeões Carlos Lopes, Vanessa Fernandes e Francis Obikwelu, hoje olho para essas fotografias e 3 meses depois continuava muito inchado, mas tinha força para enfrentar as pessoas porque sabia que o inchaço era temporário.

 

Os efeitos secundários que a cortisona tiveram em mim, foram apenas o inchaço da cara e algumas dores articulares, de resto não engordei, nem tive outro sintoma. Mas devo dizer que este inchaço se deveu ao longo período que tomei cortisona, porque mais tarde (posts mais à frente) voltei a tomar e não teve o mesmo efeito.

As emoções e a colite

15.08.14 | André

Como relatei no post anterior, a minha verdadeira primeira crise apareceu na Primavera de 2008, ou seja, 8 anos após o diagnóstico da colite ulcerosa. Esta crise foi controlada com um aumento de medicação e depois disso voltei às minhas rotinas normais.

 

Pensava eu que o pior tinha passado, no início de 2009 voltou a aparecer sangue misturado com as fezes, comecei a “atacar” com os vários salofalk enemas que o médico me prescrevia mas sem resultados visíveis. Março desse ano foi um mês com muito trabalho profissional, o que só veio agravar a minha situação.

 

Um episódio triste, mas que devo partilhar, foi passado no dia 28 de Março de 2009 (sábado), dia do jogo de qualificação para o campeonato do Mundo entre Portugal e Suécia, devido à transmissão deste jogo pela TV, eu tinha de estar de prevenção na minha empresa durante o jogo. Cerca de 2 horas antes, eu estava a chegar de carro a casa e o meu diretor telefonou-me para saber se eu já estava a caminho da empresa, … este simples telefonema foi o suficiente para eu não conseguir entrar em casa e dirigir-me à casa de banho. Este foi um dos muitos episódios que me aconteceram ao longo do ano.

 

São situações muito delicadas e pessoais, muito difíceis de partilhar, mesmo com as pessoas mais próximas, mas devemos fazê-lo para que os outros nos possam ajudar.

 

Primeiro está a nossa saúde e depois o trabalho, mas infelizmente precisamos do trabalho para viver; temos que saber equilibrar os pratos da balança, para que o dinheiro que ganhamos não sirva apenas para pagar as consultas médicas e os medicamentos. Em 2009 não conseguia equilibrar os pratos da balança, e os médicos da especialidade não relacionavam o stress com o agravamento das crises, uns anos mais tarde comecei a ter algumas respostas…(em posts posteriores falarei das respostas e resultados que obtive).

A colite é isto?

08.08.14 | André

Como relatei nos posts anteriores, tive 7 anos fantásticos de convivência com a colite ulcerosa. O ano 2008 iniciou também de uma forma tranquila, em Maio desse ano ofereceram-me uma massagem, e aconteceu algo que eu considero uma coincidência, no dia seguinte comecei a perder sangue, aí comecei logo a atacar com os supositórios...foram passando os dias e a perda de sangue além de não parar ainda aumentava, consultei o médico que me aumentou a dosagem da medicação.

 

Em Junho tinha viagem marcada para a Áustria e Suíça, onde fui acompanhar a seleção nacional de futebol durante o Euro2008. Fui com mais 3 amigos, posso dizer que foram 2 semanas muito complicadas por várias razões:

  1. Eu não conhecia a doença;
  2. Os meus amigos não sabiam que eu tinha a doença;
  3. Não tinha medicação adequada;
  4. Não sabia que tipo de alimentação deveria fazer (a única recomendação que tinha era não comer comidas picantes);
  5. Estava num país estrangeiro.

Como o objetivo era acompanhar a seleção, viajamos sempre de um lado para o outro, ora a ver os jogos, ora a conhecer outros locais. Isto ainda dificultava mais a minha situação.

 

Aqui comecei a ter o primeiro contacto verdadeiro com a colite ulcerosa, muitos gases, muitas cólicas, muitas corridas para o WC,... a primeira coisa que eu fazia quando chegava a um hotel, era conhecer todos os WCs, porque nunca sabia quando tinha de ir lá. Como não tinha contado a ninguém o que se estava a passar comigo, só dificultou as coisas e muitas vezes eu tinha de sair do quarto para ir a outro WC, porque não queria que o meu colega de quarto percebesse o que estava a acontecer.

Passei por situações muito complicadas, recordo-me perfeitamente de uma, no dia seguinte à eliminação de Portugal nos quartos-final diante a Alemanha fomos de carro até Bratislava para 3/4 dias de férias, a meio do caminho paramos numa estação de serviço, claro que fui ao WC e aparentemente fiquei bem. Continuamos a nossa viagem e com o passar dos Kms os meus intestinos voltaram-se a encher de ar, eu não quis dizer para pararem o carro, porque não me sentia à vontade para expor o meu problema e assim fui aguentando, agarrado à barriga, cada vez mais encurvado (com a cabeça quase junto dos joelhos).

Quando finalmente chegamos ao nosso destino, ofereci-me logo para ir fazer o check-in no hotel, claro que entrei no hotel e perguntei pelo WC, fui a correr para lá e libertei....

Durante o Euro2008 questionei "A Colite é isto?"

 

Uma grande lição, PARTILHAR com as pessoas mais próximas o nosso problema, se o pudermos fazer no nosso emprego, tanto melhor, porque só isso tira-nos um grande peso de cima e não precisamos de arranjar desculpas para as nossas atitudes que por vezes parecem estranhas aos olhos dos outros.

 

Até sempre Professor

01.08.14 | André

No final de 2007 o médico de gastrenterologia que me acompanhou desde o início da doença partiu, ele que além da medicação própria para a doença, tomava atenção a outros fatores, sobretudo de ordem emocial e por vezes receitava-me o stresstab, eu não compreendia a razão para tomar tal medicação, mas hoje (2014) compreendo na perfeição!!!

 

Obrigado Professor e até sempre!