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Vencer a Colite

Criança, adolescente, jovem, desportista, saudável. Aos 22 anos fui diagnosticado com colite ulcerosa, e agora?

Vencer a Colite

Criança, adolescente, jovem, desportista, saudável. Aos 22 anos fui diagnosticado com colite ulcerosa, e agora?

Das primeiras coisas que uma pessoa com uma DII faz quando visita uma lugar pela primeira vez, é localizar o WC.

 

Trabalhei muitos anos no centro de Lisboa, lembro-me como fosse hoje, … num dia solarengo de Inverno, eu e o meu colega Paulo saímos do escritório para almoçar num restaurante ali perto, não distanciava mais de 800m. Fizemos o percurso a pé, aproveitando os raios de sol que se misturavam com uma fresquidão própria da época.

 

Almoçamos tranquilamente, enquanto conversávamos. O almoço foi algo leve, sem molhos e temperos, acompanhado de uma garrafa de água. Quando terminamos, fui ao wc apenas por descargo de consciência, afinal estava a atravessar uma crise, e teria 800 metros pela frente até ao próximo wc.

 

Saímos do restaurante com tempo suficiente para chegar ao escritório antes das 14h, que era a hora agendada para uma reunião que iria ter com um cliente.

 

A pouco mais de meio do percurso senti umas picadas na barriga.

Opa, o que é aí vem? – Perguntei a mim mesmo.

 

À medida que acelerava o passo, olhava à minha volta para perceber se conseguia entrar em algum estabelecimento que tivesse um wc. O meu colega acompanhava-me sem perceber a razão para eu estar com tanta pressa. Com o edifício do escritório em linha de vista, só precisava de atravessar uma rua para chegar ao mais do que desejado wc. 

 

semaforo.jpeg

 

Semáforo dos peões vermelho!

Parei - e agora?

 

Tentei suster o que lá vinha, fazendo força com todos os músculos possíveis, mas…saiu tudo pernas abaixo, ali mesmo no meio da rua, junto ao semáforo, com carros a passarem, buzinas, pessoas,... e eu a sentir-me cada vez mais pequenino, a sentir-me diminuído, a sentir-me aquilo mesmo que me estava a escorrer pelas pernas abaixo.

 

 

Com tanto barulho, pareceu-me que ninguém se apercebeu, e como eu tinha calças escuras e um casaco comprido, também não era visível,…

 

O semáforo dos peões muda para verde, o meu colega ali ao meu lado, começa a atravessar a rua e eu vou atrás dele, naquele estado imundo. Ele não se apercebeu, e eu envergonhado não lhe contei. Chegamos ao escritório, e eu sem conseguir falar só queria esconder-me, fui direto ao wc.

 

Eram quase 14h, eu ali sozinho no wc, telefonei à minha namorada (atualmente minha esposa) que trabalhava ali perto, e pedi-lhe para ir à Massimo Dutti comprar umas calças que tínhamos visto naquela loja, e agora tinha chegado o momento delas mudarem de dono.

 

Toca o telefone.

Era o meu chefe para saber onde é que eu estava para irmos para a reunião. Eu disse-lhe para ele ir andando, que eu iria lá ter depois. Continuava eu a esconder o que se estava a passar, o que criava ainda mais pressão sobre mim.

 

Passados 15/20 minutos que pareceram horas, a minha namorada chega com as calças novas. Limpei-me, lavei-me e troquei de calças. Parecia um rapaz novo…

 

E vou para a reunião.

Como é possível? - Interrogo-me ao dia de hoje.

 

Esta situação passou-se comigo em 2011, e até ontem só eu e a minha namorada é que sabíamos o que se passou naquele dia.

 

Das maiores coisas que podemos fazer por nós mesmos, é partilhar com os nossos amigos e com as pessoas mais chegadas a nossa real situação. Todos nós precisamos de apoio, nem que seja para retirar a pressão e o stress das situações mais desafiantes que temos de enfrentar.

 

Não é por termos este tipo de doenças que somos inferiores a alguém, muito pelo contrário, somos uns lutadores, uns corajosos, uns verdadeiros heróis.

A todos os heróis espalhados por esse mundo fora, o meu reconhecimento sentido! 

O novo programa da Cristina Ferreira tem tido a capacidade de cobrir uma grande variedade de áreas de interesse, no passado dia 7 contou com a presença da Andreia Lima, uma menina de 25 anos, que fala abertamente e sem preconceitos da sua vida, antes e depois de ter sido ostomizada.

 

Veja a entrevista aqui, e acompanhe a Andreia em Crónicas de uma barriga renovada.

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