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Vencer a Colite

Criança, adolescente, jovem, desportista, saudável. Aos 22 anos fui diagnosticado com colite ulcerosa, e agora?

Vencer a Colite

Criança, adolescente, jovem, desportista, saudável. Aos 22 anos fui diagnosticado com colite ulcerosa, e agora?

Ter | 23.02.16

A verdadeira realidade sobre o açúcar!

André

A dieta ocupa um papel central e determinante para a gestão dos níveis inflamatórios do intestino. O consumo excessivo de alimentos processados, de índice glicémico (IG) elevado, com gorduras prejudiciais (saturadas e hidrogenadas) associado a uma ausência de alimentos de origem vegetal, ricos em moléculas anti-inflamatórias e gorduras saudáveis, traduz-se num ambiente orgânico pró-inflamatório com as respetivas consequências para a saúde.

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Os hidratos de carbono simples (açúcar) fornecem as chamadas "calorias vazias", pois apresentam falta de vitaminas, minerais e fibras. Uma das recomendações para começar a controlar os sintomas da colite ulcerosa é eliminar estes hidratos de carbono. Os açúcares refinados podem causar uma série de problemas, podem criar um problema de pH anormalmente elevado (muito ácida) na parte inferior do intestino, este, por sua vez, perturba a flora bacteriana normal do cólon e pode ser uma razão para a diarreia crónica. O açúcar também ajuda a alimentar certas formas de bactérias e fungos que podem ficar fora de controle e causar infeções sistémicas.

 

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Já em 1931 o biólogo alemão Otto Warburg recebeu o prémio Nobel da Medicina por descobrir que o metabolismo dos tumores malignos estava dependente da glicose.

A célula cancerígena obtém energia através da fermentação do açúcar sem recorrer ao oxigénio, ao contrário da célula saudável que obtém energia através da oxidação. 

 

 

 

Quando consumimos açúcar ou hidratos de carbono simples, os níveis de glicose sobem rapidamente no sangue. O organismo produz insulina para mobilizar a glicose para as células. Essa subida de insulina é acompanhada pela libertação de IGF-1.
Ambas as hormonas promovem o crescimento das células além de promoverem os fatores inflamatórios, funcionando como fertilizantes para os tumores.

 

Vários estudos mostram os malefícios dos hidratos de carbono simples, um dos quais sugere que uma dieta rica em alimentos com um índice glicémico (IG) e carga glicémica (CG) elevada, estão associados a um aumento do risco de vários cancros, como o da próstata (26%), colorretal (28%) e do pâncreas (41%).

 

Outro estudo epidemiológico sugere que a dieta ocidental rica em gorduras, com muitos hidratos de carbono simples, está fortemente associada com o desenvolvimento das doenças inflamatórias intestinais, contrariamente a uma dieta rica em fruta, vegetais e ácidos gordos ómega-3 poli-insaturados que são protetores para este tipo de doenças.

 

Todos os alimentos processados, não integrais ou refinados (por exemplo: farinhas, arroz, pão, além dos bolos, bolachas,...) têm um IG alto, o que significa que é a grande maioria dos alimentos que consumimos, enquanto que os alimentos com mais fibra (por exemplo: frutos secos, fruta,...) têm um IG inferior, fazendo com que o nível de açúcar no sangue se mantenha mais baixo. 

 

Falando um pouco da minha experiência com a colite e como eu olho para a relação com o açúcar, é oportuno dizer que nas crises que eu tive até 2013 não deixei de consumir por completo alimentos que contivessem açúcar e estas crises foram bastante intensas, com vários sintomas associados à doença, como diarreia, várias evacuações/dia, etc,...durante a crise que tive em 2014 não consumi alimentos que contivessem açúcares refinados, assim como na fase que ainda estou a atravessar (inflamação ativa, com perdas de sangue) e o resultado foi e está a ser "apenas" perda de sangue, não tive/tenho diarreia, nem outro sintoma associado à doença.

 

Há alguma relação?

Não tenho dúvidas que sim, não é mera coincidência. 

 

Veja a peça de jornalismo exibida no programa “60 Minutes”:

 

 

Referências: